Crises cambiais · 1ª geração · Krugman (1979) · acesso livre
A crise anunciada: quando o câmbio fixo cai por conta própria
O governo mantém o câmbio fixo e, ao mesmo tempo, financia o déficit criando crédito doméstico. Para segurar a paridade, o banco central vende reservas todo mês. Aperte ▶ e veja por que o ataque especulativo chega antes de as reservas acabarem.
Leitura do gráfico
Motor
Três números decidem se a paridade sobrevive e quando ela cai.
Fixos no modelo: paridade de 2,00 por dólar, base monetária de 100 bilhões e juro externo de 0,5% ao mês.
Cenários
Cada um monta o motor e roda a linha do tempo.
De onde vem o modelo
A ideia nasceu fora do câmbio. Salant e Henderson (1978) estudaram governos que tentavam fixar o preço do ouro vendendo o estoque oficial, e mostraram que o estoque acabava de uma vez, num ataque, e não aos poucos. Krugman (1979) levou o argumento para o câmbio fixo: troque "ouro" por "reservas internacionais" e "preço do ouro" por "taxa de câmbio". A versão com contas lineares, usada neste simulador, é a de Flood e Garber (1984).
O recado central é que a crise é consequência de fundamentos incompatíveis. Um governo que expande o crédito sem parar não consegue, ao mesmo tempo, manter o câmbio fixo. A única dúvida é a data, e o mercado a calcula.
Onde ele costuma ser aplicado
A literatura costuma associar a 1ª geração a episódios latino-americanos do fim dos anos 1970 e começo dos 1980, como o México em 1976 e em 1982 e a Argentina em 1981, com o fim da tablita cambial. O padrão comum é déficit público financiado pelo banco central, câmbio fixo ou pré-anunciado e perda contínua de reservas até o colapso.
Classificação: as três gerações
| 1ª geração | 2ª geração | 3ª geração | |
|---|---|---|---|
| Autores de referência | Krugman (1979); Flood e Garber (1984) | Obstfeld (1994, 1996) | Krugman (1999); crises gêmeas |
| Causa | Fundamentos inconsistentes: crédito cresce com câmbio fixo | Governo pesa custo × benefício de manter a paridade | Fragilidade financeira: dívidas em moeda estrangeira, bancos |
| O governo | É passivo: segue emitindo | Otimiza e pode abandonar a paridade | Enfrenta balanços de empresas e bancos |
| Expectativas | Só antecipam a data; não criam a crise | Podem criar a crise: equilíbrios múltiplos, autorrealização | Pânico e perda de confiança amplificam |
| É evitável? | Sim, parando o crédito (ajuste fiscal) | Depende das expectativas | Depende do sistema financeiro |
| Casos associados | México 1976 e 1982; Argentina 1981 | Sistema Monetário Europeu, 1992–93 | Ásia, 1997–98 |
O que o modelo deixa de fora
O governo não reage: não sobe juros, não corta gastos, não pede ajuda até o fim. Todos preveem o futuro com perfeição. E a crise não custa nada à economia real, porque produto e emprego nem aparecem. Essas lacunas motivaram a 2ª geração, em que o governo decide se vale a pena defender a paridade, e a 3ª, em que o estrago vem dos balanços de empresas e bancos.
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Modelo: versão linear de Flood e Garber (1984) para Krugman (1979). Demanda por moeda M = β·S − α·Ṡ, com β = 50, paridade do poder de compra (P = S, P* = 1), paridade descoberta de juros e previsão perfeita. Base monetária M = D + R. Câmbio sombra S̃(t) = D(t)/β + αμ/β². Ataque em T = R₀/μ − α/β. Valores em bilhões de moeda nacional (MN). Leia a dedução no guia.