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Quente ou frio, qual é o seu clima preferido?

Fenecer no freezer ou no forno parece uma escolha e uma preferência fátuas. A questão é: por que o lado mais pobre de argumentos é tão mais poderoso de convencimento?

 

Você prefere um planeta frio ou quente?

O chá dos interesses nacionais e internacionais servido a todos nós cidadãos do mundo quando a questão é o clima da Terra não é questão de preferência. Nem uma simples infusão, mas uma velhaca confusão.

Entornamos todos os dias gigantescas chávenas da informação de que o planeta está se aquecendo. A causa básica seria o tal efeito estufa, provocado pelo CO2 lançado para o alto por conta de nossos processos industriais, queimadas e produção de energia.

Eis porém que uma voz se levanta contra essa avassaladora corrente mundial. Com paciência de avô, convicção de um Mahatma e segurança de dados e medidas de uma longa vida dedicada à climatologia, o Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion diz exatamente o contrário: gás carbônico nada tem a ver com o aquecimento terrestre e o mundo está é esfriando!

Brasileiro, formado em Física pela Universidade de São Paulo, com doutorado e pós nos EUA e Inglaterra, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados de Berlim e representante da América Latina na Comissão Mundial de Meteorologia, além de autor de inúmeros estudos sobre florestas, desenvolvimento sustentável,hidrologia e clima, o professor é sem nenhum favor uma das maiores autoridades mundiais no assunto ao qual se dedica há sete décadas.

Erro metodológico 

O surpreendente é que o professor clame praticamente sozinho no deserto. Em resumo, ele sustenta:

- Acusar o CO2 de vilão é como atirar no próprio pé. O gás carbônico é, através da fotossíntese (lição que decoramos nos bancos escolares mas que ainda não aprendemos), o responsável por todo alimento que vegetarianos ou onívoros consumimos na Terra.

- O aquecimento contínuo do globo é um erro metodológico, quando não uma balela política. Períodos de maior atividade solar e movimentos lunares, como a precessão equinocial, provocam, sim, recorrentes fases de aquecimento e de resfriamento do nosso planeta. A estufa carbônica nada teria a ver com isso.

- Erro metodológico da corrente defensora da tese do aquecimento: as medidas seriam basicamente feitas nos centros urbanos, que são, mesmo, mais quentes que todo o resto do planeta. Como lembra o professor, os continentes somam apenas 29% da superfície terrestre, cabendo os demais 71% aos oceanos. As cidades atingem, obviamente, um percentual muito menor.

- Medidas regularmente tomadas por estações climáticas e mais de 3200 equipamentos ao redor de todo o mundo, que registram temperaturas desde 2 000m de profundidade e transmitem os dados para um satélite, provam que ao contrário de se elevar, a temperatura média dos oceanos está diminuindo. Da mesma forma, os níveis oceânicos se mantêm estáveis, segundo uma marca feita por um explorador em 1841 na Nova Zelândia: está lá à flor da água até hoje.

- As dramáticas imagens de geleiras derretendo são, segundo Molion, fenômeno periódico, também influência astral, que provoca o direcionamento de águas tropicais por baixo da calota ártica (não antártica). Aliás, estudo divulgado recentemente pela base brasileira na Antártida mostra que, com exceção de uma pequena península (Larsen) a Antártida se encontra em processo de resfriamento.

Lobo e cordeiro

Notícia, presságio, profecia ou previsão, qualquer que seja o nome que se dê aos anúncios do professor Molion, só não se pode dizer é que eles são menos catastróficos do que o da estufa carbônica nos cozinhando e mares nos engolindo. Nosso planeta vive, compara o professor, a "prorrogação do segundo tempo" do período interglacial dentro do qual se desenvolveu até hoje a história da humanidade. Ou seja, entre 12 e 15 mil anos. Daqui pra frente, é gelo!

Como boa pitonisa moderna, o climatologista não diz como nos salvaremos da nova era glacial. Quem sabe, daqui a mais 2 mil ou 3 mil anos, a estufa que tanto combatemos seja o calorzinho que nos redimirá do congelamento... Quer dizer, Obama e os chineses estariam atirando no que viram e matando o que nem vislumbraram?

Fenecer no freezer ou no forno parece uma escolha e uma preferência fátuas. A questão é: por que o lado mais pobre de argumentos é tão mais poderoso de convencimento? A resposta tem a ver com a fábula do lobo e do cordeiro. O mundo depende ainda em grande medida do desenvolvimento à base da produção energética oriunda da queima de combustíveis fósseis, não renováveis. (O Brasil é uma feliz exceção.) O que as nações ricas desejam é frear o desenvolvimento dos outros para não perder hegemonia. Por isso o discurso do malefício dos processos atuais. A política de no paralelo recusar, como em Copenhague, metas de redução é apenas jogo de cena, coisa da política.

O consenso polÍtico que não houve em Copenhague, porque pairou sobre tudo o confronto econômico e social, talvez não seja tão importante do ponto de vista científico. Molion observa que ciência exige é confronto, experimentações e provas. E nesse sentido a sua tese de resfriamento planetário está mais calçada e portanto mais próxima de ajudar a todos no futuro.

É necessário que se diga que o professor Molion defende um ardoroso ambientalismo. Para ele, a conservação ambiental é, sim, imprescindível. Isso avaliza a parábola do abacateiro que lançamos aqui há dez dias. Nós que somos donos das florestas remanescentes do planeta, temos o dever e a obrigação de conservá-las. E a conservação desse patrimônio vale dinheiro, vale desenvolvimento e vale sobrevivência para todos os terráqueos.

Esta é talvez uma pauta político-econômico-diplomática com um foco um furo abaixo da estufa carbônica. E diferente da bravata que nos moveu em Copenhague.

As luzes do professor de Alagoas podem ser nossa melhor aposta para o próximo chá das cinco dos líderes do clima. Quer o chá seja servido quente ou gelado.

Edmilson Conceição
Jornalista, colunista de Economia Interativa
edorcon@uol.com.br

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Foto Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion/Divulgação


13/01/2010

 

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