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Não basta ser mulher...

A Deputada Federal Luiza Erundina admite a que poderia suceder Lula, revela que recebeu ajuda do PT para pagar uma dívida pública e comenta sobre a filosofia socialista

 

O programa Provocações (http://www2.tvcultura.com.br/provocacoes/), da TV Cultura de São Paulo, recebe a Deputada Federal Luiza Erundina e vai aos pontos. Ex-prefeita de São Paulo, ela foi condenada a devolver ao município 352 mil reais, valor corrigido do que gastou na ocasião com a publicação nos jornais de anúncios que não atendiam ao interesse público. Logo na primeira parte da entrevista a deputada conta que seus acusadores de então se retrataram em cartas pessoais que recebeu.

Questionada pelo apresentador Antônio Abujamra se poderia se tornar a sucessora do presidente Lula, Erundina responde que em tese sim, mas como ela é mulher, nordestina e de origem pobre, seria mais difícil. "Não basta ser só mulher para mudar o quadro atual da política brasileira", pontuou.

Deputada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Erundina diz que ser socialista é ter uma vida baseada em princípios socialistas, solidariedade e igualdade social. A respeito do ideal socialista, diz: "Eu acho que o sonho tem que ser permanente".

Abujamra pergunta como são suas relações com a base do Partido dos Trabalhadores (PT), seu antigo partido, e a deputada prontamente responde que grande parte dessa base do PT a ajudou a pagar a dívida. "Eu tenho muitos eleitores petistas".

Erundina diz que não teria nenhuma chance em sair candidata para o governo da Paraíba (estado onde nasceu), pois a concorrência naquele estado é pior que em São Paulo. E, para fechar, quando é indagada se a ex-prefeita Marta Suplicy não teria problema em entender o "povão", Erundina confirma dizendo que é uma questão de classe.

Ao fim da entrevista, Luiza Erundina afirma que a vida é ser constantemente desafiada a criar um sentido para ela. "Ela (a vida) é a razão de ser".

Jogo paralelo

Então é assim. Não há lei que impeça que eu junte 100 amigos de absoluta confiança que tenham em mim absoluta crença para fazermos uma fezinha. Na conhecida história de Cristo eram 13 ao todo os amigos. E não se tratava exatamente de um jogo. Um foi crucificado, o outro se enforcou e o resto seguiu na luta para consolidar e difundir uma doutrina.

Nesta história daqui, a centena animada vai cravar a sorte no bolão da mega sena acumulada. Eu depositário dos bilhetes da esperança e o resto torcendo pela coincidência das bolinhas no sorteio da Caixa Econômica Federal. A estatística informa que a combinação de números permitem poucas chances, mas o valor das apostas, diluído, vale uns poucos trocados para cada um.

Se combinado, como síndico da massa inferida, eu posso até ter uma porcentagem pela empreitada. Na lei, por exemplo, as bancas do jogo - Caixa Federal, lotéricas e entidades dos mais diversos fins, além do Tesouro Nacional - ficam com seus quinhões dos prêmios. Na vida real vale o fio do bigode, para quem dispõem de pelos no buço.

Se der zebra (aquele animal preto de listras brancas) na cabeça, estamos todos feitos, desde que eu tenha feito o jogo antes do sorteio ou que não desapareça com os boletos.

Nesses dois casos, primeiro arrisco os 100 amigos, depois a vida.

Acontece que esses bolões lotéricos, ao arrepio das leis de concessão das casas de jogos oficiais, não são feitos entre amigos. Servem aos concessionários (cerca de 10 mil), para aumentar o faturamento ou, pior, como se rastreia, há vários anos, até para lavar dinheiro de variadas máculas: das inocentes às hediondas. E como se diz, "quando alguém urina fora do penico é rebu geral".

Os concessionários da Caixa Econômica Federal (permissionários do jogo oficial do Estado Brasileiro) sabem que não podem ser sub-bancas de apostas mas estampam em seus estabelecimentos as tabelas dos bolões de vários preços. Da mesma forma, a Caixa Federal, guardiã constitucional da concessão do jogo, não lhes corta as cristas do deslize.

Dos episódios escabrosos que chegam ao público, a Caixa Econômica Federal desincumba-se na platitude de suas notas de imprensa. E promete intensificar a fiscalização, frase recorrente que o Governo usa com frequência ao dar satisfações à imprensa toda vez que alguma vaca vai para qualquer brejo.

As lotéricas apressam-se a recolher suas tabelas de preços de bolões das vitrines e o cidadão brasileiro, que só no infortúnio descobre as leis das quais não foram devidamente informados, fica mesmo a ver navios, de novo constatando que foi logrado pela incúria.

Velha receita

No dia primeiro de março o leão abriu generosamente sua bocarra internética para que de lá os contribuintes retirassem os programas necessários à prestação de contas de 2009 ao Estado. Como sempre, a Receita Federal esmerou-se em deixar tudo nos trinques para que os cidadãos de primeira hora não tivessem problemas. Como sempre, o sítio da Receita Federal engasgou, resfolegou e só foi entrando em regime ao longo do dia. No rádio, ao meio dia, um porta voz autorizado do Fisco esclarecia que estava tudo sob controle, que a informática sempre prega essas peças e que, no final das contas, ninguém precisava se desesperar porque o contribuinte tinha sessenta dias de prazo para fazer e entregar seu imposto de renda.

Ninguém mandou ser apressado, não é?

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Anthony de Christo
Editor Sênior
achristo@economiainterativa.com.br

Foto/Jair Bertolucci


02/03/2010

 

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