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Consumo

PROSPERIDADE NA MESA & MISÉRIA DOS AGRICULTORES

Agronegócio eleva em 24% poder de compra do brasileiro, mas Estado apóia pouco agricultor mais carente

 

"Apesar de todo barulho em torno da questão da reforma agrária, ainda 85% dos trabalhadores rurais acham-se amontoados nos pequenos estabelecimentos. São, na maioria, trabalhadores da mesma família que não contam com terra suficiente que assegure condição de vida satisfatória. Certamente deveriam ser priorizados na distribuição de terra."

A observação do coordenador científico do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), professor titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós (Esalq)/USP Geraldo Barros decorre de suas análises sobre os censos agropecuários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Barros constata que entre 1994 e 2006, quase mesmo período decorrido entre os dois últimos censos, o poder aquisitivo do consumidor aumentou 24% frente à alimentação (produtos agropecuários).

Além dessa contribuição direta aos brasileiros, o superávit da balança do setor no período contabilizou mais de US$ 300 bilhões para as reservas do País colaborando consideravelmente com o pagamento da dívida externa. Para um período mais longo, que vai de 1975 a 2006, outros estudos de Barros mostram que os preços agropecuários caíram em média 60%, a produtividade dobrou - favorecendo o aumento real dos salários -, mas a lucratividade média do setor diminuiu 20%.

Apesar desse desempenho, o professor destaca que, ao comparar 1995 e 2006, os dados do IBGE indicam a quase ausência do Estado no cumprimento de seu papel de apoio à agropecuária, principalmente nas regiões mais carentes. E considera alarmantes o grau de analfabetismo entre os agricultores, a ampla falta de orientação técnica e o acesso muito baixo ao crédito rural.

Quanto às demais informações estruturais - como a distribuição da posse da terra -Barros observa que o censo de 2006 mostra alterações muito pequenas em relação a 1995, "o que não deixa de ser interessante", destaca. O período foi de expressiva expansão do setor, tanto na produção de alimentos, como de fibras e energia.

"Houve grande crescimento com queda significativa de preços para o consumidor e com avanço considerável no mercado externo, apesar do protecionismo dos países desenvolvidos, que tem prejudicado a lucratividade do setor. Tudo isso com queda de quase 7% na área dos estabelecimentos rurais, o que ajuda muito no controle do uso da terra do Cerrado e da Amazônia", aponta o professor.

O pesquisador entretanto desaconselha comparar os resultados pontuais de 2006, já que aquele ano não foi bom para a agropecuária. A renda foi 2% menor do que em 2005 e 12% inferior a 2004. O resultado teve impacto negativo nos gastos com insumos, que encolheram 15% em relação a 2004, e provavelmente na produtividade, comenta. Com base em dados do próprio IBGE, o professor lembra que a produção de soja relatada para 2006, por exemplo, de 40,7 milhões de toneladas foi 17,3% inferior à de 2004, de 49,2 milhões de toneladas. A produção de algodão encolheu em terço (33%) entre 2004 e 2006.

Outras informações podem ser obtidas com o professor Geraldo Sant'Ana de Camargo Barros, por meio do Laboratório de Informação do Cepea: 19-3429-8837 ou cepea@esalq.usp.br
www.cepea.esalq.usp.br


14/10/2009

 

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