O estudo "Brasil Sustentável - Perspectivas do Brasil na agroindústria" identifica dois grandes movimentos do setor: o primeiro, do ponto de vista da demanda, com o surgimento de novos hábitos de consumo (nos países desenvolvidos) e aumento na demanda por alimentos (nas economias emergentes), aponta que o mercado de produtos da agroindústria não apenas está em expansão, mas também vem assumindo perfil qualitativo diferente. Quanto à oferta, o estudo indica a evolução dos processos de aprimoramento tecnológico (biotecnologia, tecnologia da informação, métodos de gestão empresarial e da cadeia de suprimentos), que serão fundamentais para permitir à agroindústria responder de forma adequada ao crescimento e às alterações no perfil da demanda.
Para elaboração do estudo, foram levados em consideração fatores relevantes para o setor, como o esgotamento da fronteira agrícola em diversas regiões, as mudanças na dinâmica demográfica, o protecionismo de alguns países em relação a produtos estrangeiros, o crescimento das preocupações de natureza ambiental e busca de fontes alternativas de energia.
Mercado interno
Se nos países com melhor nível social a demanda por alimentos responde de forma mais moderada aos aumentos de renda, no Brasil ainda há estratos sociais que podem se beneficiar diretamente desse incremento. No horizonte analisado, estima-se que a renda média brasileira cresça 3,1% anualmente e o consumo global das famílias, 3,8% ao ano. Nesse mesmo cenário, a projeção é que o consumo de alimentos deve avançar 3,0% ao ano (2,5% para alimentos in natura e 3,1% para alimentos processados). Isso significa que, considerando o País e suas diversas faixas de renda, para cada 10% de acréscimo no PIB o consumo de alimentos deve se elevar em 7,5%.
As faixas de renda familiar mais baixas (até R$ 1 mil e entre R$ 1 mil e R$ 2 mil) devem entrar aos poucos nos estratos médios de consumo total no País. As taxas expressivas de crescimento do consumo nas faixas intermediárias deverão impulsionar um padrão de consumo de alimentos mais concentrado em produtos protéicos, em detrimento de carboidratos e gorduras.
Podem-se destacar o crescimento per capita esperado de itens como presunto, queijos e carne bovina de primeira. Considerando-se o crescimento vegetativo da população, o aumento da demanda representaria 3,7% para presunto, 3,3% para queijos e 3,1% para carne bovina. O aumento na demanda por leite pasteurizado deve crescer 2,8%, considerando o incremento da população. Já o consumo per capita de alimentos ricos em carboidratos (como farinha de trigo, massas, arroz e açúcar) deve ter desempenho discreto.
Da Redação
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03/10/2009