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Em 2030, China será o segundo maior importador de alimentos do Brasil

As projeções para importações mundiais de alimentos e matérias-primas agrícolas apontam uma perda da participação relativa da maioria dos países ricos, com exceção dos EUA, acompanhada do avanço de países como a China, a Índia e o próprio Brasil

 

A China será o segundo maior importador da agroindústria brasileira em 2030 movimentando US$ 2.145,7 milhões - a preços de 2007 - anualmente. Até lá as exportações da agroindústria brasileira devem crescer a uma taxa anual média de 1,3%: 1% ao ano em alimentos beneficiados e 2% ao ano em matérias-primas. Esses percentuais são superiores às médias anuais desses setores e levarão a um aumento significativo de participação brasileira no mercado global.

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A produtividade agroindustrial brasileira continuará crescendo acima da média mundial nas próximas duas décadas e a importação global de matérias-primas agrícolas também apresentará demanda maior do que a de alimentos. As previsões estão no estudo "Brasil Sustentável - Perspectivas do Brasil na agroindústria", elaborado em conjunto pela consultoria Ernst & Young Brasil e a FGV Projetos, unidade de extensão de ensino e pesquisa da Fundação Getulio Vargas.

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"Nossa intenção era produzir um material que pudesse orientar na construção de uma visão de longo prazo para os executivos da alta administração", explica o diretor executivo e especialista em agronegócios da Ernst & Young, Renato Gennaro. "Acreditamos que esse material será muito importante para orientar e validar o planejamento estratégico das empresas envolvidas com o mercado agroindustrial".

De acordo com o estudo, as exportações agroindustriais do País avançaram de forma vertiginosa no mercado mundial nos anos recentes. Em 1995, o Brasil ocupava a nona posição no ranking global, com 2,8% das exportações mundiais. Em dez anos, o share passou para 4,8% (crescimento médio anual de 10,2%, o maior do mundo), colocando o País na 4ª colocação no ranking dos maiores exportadores agrícolas, atrás de EUA, França e Holanda.

Importação cresce mais nos países emergentes e populosos

As projeções para importações mundiais de alimentos e matérias-primas agrícolas apontam uma perda da participação relativa da maioria dos países ricos, com exceção dos EUA, acompanhada do avanço de países como a China, a Índia e o próprio Brasil. Quanto à importação das matérias-primas agrícolas, por exemplo, os EUA devem manter sua participação atual de 23% em 2030. O Japão deve reduzir sua parcela de 12,5% para 9,5%. Já a fatia chinesa crescerá de forma expressiva, passando de 12% para 17,4%.

As importações de alimentos deverão crescer mais nos países emergentes e populosos - notadamente China e Índia - que apresentarão um desempenho mais favorável em termos de renda per capita, incorporando grandes contingentes de novos consumidores ao mercado, ainda que, em termos absolutos, esse crescimento não vá tirar os países ricos das posições de destaque que hoje ocupam.

Demanda de alimentos menor que o consumo médio das famílias

As linhas gerais de movimento do mercado internacional de produtos agroindustriais apontam que, em regra, a importação de matérias-primas agrícolas - como couro, celulose e álcool - deverá crescer mais do que a de alimentos: a demanda por esses produtos responde com maior intensidade ao aumento de renda, sobretudo nos países mais pobres, onde há uma perspectiva de crescimento da renda familiar: a taxa de crescimento dos salários reais até 2030 será menos expressiva em países como o Japão (1,1%) e mais intensa em países como Brasil (2,5%), Coréia do Sul (2,8%) e China (6,2%).

Mas a demanda por alimentos deve crescer menos que o consumo médio das famílias no período: o aumento de 2,8% nesse consumo será acompanhado de um crescimento de apenas 1% ao ano nas importações de alimentos. O consumo de alimentos responde aos incrementos de renda de forma cada vez menos intensa na medida em que as famílias elevam seu padrão de vida. No Brasil, a despeito da elevação projetada do PIB (4,0% anuais) e do consumo de alimentos (2,9% anuais), as importações de alimentos crescerão a taxas menores (2,0% ao ano), resultado do bom desempenho da produção interna.

O estudo revela também a posição do Brasil em relação aos seus principais concorrentes nos últimos anos. O país foi o único que registrou crescimento da produtividade da agroindústria na casa dos 2,0% ao ano nas últimas três décadas. Nos EUA esse índice foi de 0,8%, na China, 1,8%. Anota o estudo a participação que a agroindústria tem no PIB brasileiro. Em 2005 o PIB do agronegócio chegou a U$ 438 bilhões ou 23% da renda nacional. Nos EUA, por exemplo, essa fatia foi de 16,7%.

A pesquisa foi realizada com base no histórico de indicadores econômicos dos últimos 57 anos de 100 países, é a quinta de uma série de publicações desenvolvidas em conjunto pela Ernst & Young e a FGV Projetos.

O coordenador do estudo, Fernando Garcia, da FGV Projetos, considera que o material constitui um valioso instrumento para a reflexão sobre os principais desafios que o país deverá enfrentar para crescer de forma sustentável, aproveitando o máximo de suas potencialidades. "Buscamos relacionar o potencial brasileiro em sua interação com o mercado global numa perspectiva 20 anos à frente, levando em consideração aspectos econômicos e fatores como a dinâmica demográfica, de qualidade de vida e de recursos humanos que nos possibilitasse traçar uma visão aprofundada do comportamento dos principais fatores condicionantes do cenário global".

Da Redação

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Mais informações: www.ey.com.br


03/10/2009

 

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