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Consumo

O outro caos urbano

"Em uma sociedade impulsionada pelo consumo, grandes revoluções de comportamento e de padrões de consumo devem estar respaldadas por um amplo apoio popular, devem ser feitas debaixo para cima, para que possam ser bem sucedidas e não caiam no poço das boas intenções"

 

Os cidadãos brasileiros que vivem nas cidades produzem mais de 61 milhões de toneladas/ano de resíduos urbanos, das quais 54,4 milhões de toneladas são coletadas. De acordo com a Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, dos 5.563 municípios, 3.406 não tem uma destinação adequada do lixo.

Na cidade de São Paulo, são geradas 12 mil toneladas de lixo/dia, mas apenas 5% são reciclados. As áreas de periferia, justamente, as que mais sofrem com enchentes, epidemias e lixões, em sua maioria, estão excluídas do programa. Todos os meses são distribuídos 66 milhões de sacolinhas plásticas, que demoram 300 anos para se decompor. Pesquisa junto às 31 subprefeituras da capital paulista, feita por um jornal diário, revelou que existem 1,3 mil pontos ilegais de despejo de entulho.

Mas a responsabilidade pela gestão adequada do lixo não se resume a iniciativas governamentais, é fundamental a ativa participação da sociedade civil, não apenas para cobrar dos agentes públicos responsáveis, mas na participação e adesão efetiva de medidas de combate ao desperdício, conforme pontua o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP).

"A verdadeira cidadania ambiental se consolida a partir da efetiva participação da sociedade civil na construção e na execução de políticas públicas de conservação e proteção do meio ambiente", diz ele. "Essa convicção parte do princípio de que em uma sociedade impulsionada pelo consumo, grandes revoluções de comportamento e de padrões de consumo devem estar respaldadas por um amplo apoio popular, devem ser feitas debaixo para cima, para que possam ser bem sucedidas e não caiam no poço das boas intenções", ressalta Jardim.

Ainda segundo o deputado, "experiência bem sucedidas na área ambiental demonstram que não se pode olhar uma árvore e esquecer a floresta, ou seja, as questões ambientais estão sempre co-relacionadas. Esta visão deveria nortear a busca por um ponto de equilíbrio para que o desenvolvimento pudesse andar de mãos dadas com o princípio da sustentabilidade".
                                                                                                             Ver matérias relacionadas

Gabriel Pitta
Jornalista
gachrisma@hotmail.com


24/08/2009

 

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