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Afinal, ventos sopram a favor dos sucroalcooleiros

É uma tarefa difícil fazer previsão de preços, mas existe espaço para uma elevação entre 10% e 15% dos preços do etanol que compatibilizariam o custo de produção e a percepção de um estreitamento da disponibilidade no final da safra

 
Recentemente a Archer Consulting divulgou sua estimativa de safra de cana do Centro-Sul e o modelo usado aponta para um estoque de passagem extremamente apertado tanto para o açúcar quanto para o etanol. Essa percepção de estoques abaixo da média histórica deverá fazer com que os preços do etanol se aproximem dos preços do açúcar.

Com base nos últimos preços internacionais e com os indicadores internos de ESALQ para açúcar e etanol, concluímos que o açúcar no mercado internacional negocia 44% acima do custo de produção - que é de R$ 23,00 por saca posto usina. O açúcar no mercado interno também apresenta excelente retorno, com 39% acima do custo de produção. Esses sustentam a rentabilidade das usinas nesse momento.

Se olharmos para o etanol, no entanto, tanto o anidro quanto o hidratado são comercializados com prejuízo operacional, ou seja, não estamos considerando nem o custo financeiro da indústria como um todo.

Essa situação não deve persistir. Deveremos ver a partir de outubro/novembro uma acomodação dos preços do açúcar e uma recuperação dos níveis do etanol para patamares mais palatáveis compatíveis com o custo de produção. É uma tarefa difícil fazer previsão de preços, mas existe espaço para uma elevação entre 10% e 15% dos preços do etanol que compatibilizariam o custo de produção e a percepção de um estreitamento da disponibilidade no final da safra.

Tirando a questão pontual dessa safra, é importante observar que o setor deverá entrar em um período de bonança. Não no sentido de preços altos porque estamos tratando de commodities e como se sabe, elas são cíclicas. Refiro-me a expansão dos carros flex que dão enorme sustentação ao setor.

Se a indústria automobilística crescer os 6,4% que estão estimando para 2009 e se o crescimento por 0% para os próximos 3 anos, ainda assim, teremos em 2012, 45% da frota brasileira de veículos leves utilizando motores flex. Isso vai elevar o nosso consumo de hidratado dos atuais 18, 1 bilhões de litros para 28,6 bilhões de litros em 2012/2013.

Para acompanhar essa demanda interna, somada a uma exportação estimada de 5 bilhões de litros naquele ano safra, mais o açúcar  para os mercados interno e externo, o Brasil vai precisar moer 840 milhões de toneladas de cana. Isso implica necessariamente numa expansão canavieira da ordem de pouco mais de 10 % ao ano. E, espanto, significa necessidade de investimento que estimamos em, pelo menos, US$ 21,36 bilhões até lá.

De onde virá o dinheiro não se sabe. O fato é que as análises de projeto hoje fazem muito mais sentido do ponto de vista de retorno sobre capital investido do que faziam em 2004/2005 quando houve uma febre de investimentos no País, apesar de utilizarem premissas que não se concretizaram. A principal, que tinha como foco do etanol o mercado externo. Ocorreu o inverso, o mercado doméstico graças ao advento do carro flex é o grande pilar de sustentação do setor.

Arnaldo Luiz Corrêa
Diretor da Archer Consulting
contato@archerconsulting.com.br


30/07/2009

 

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