A segunda edição do semanário impresso Econoia Interativa, em maio do ano passado, noticiava em manchete que um trabalho desenvolvido para a Petroquisa indicava os caminhos estruturais para a fabricação brasileira de farmoquímicos e agroquímicos. No projeto, avaliou-se a possibilidade de produzir intermediários de síntese de química fina a partir de matérias-primas fornecidas pelo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), como benzeno, tolueno e xilenos. A implementação efetiva de programas decorrentes desse estudo poderia sustentar tecnologicamente as decisões políticas sobre quebra de patentes.
Segundo o professor David Tabak, consultor do Laboratório Farmanguinhos, somente em 2006 o Brasil registrou um déficit de US$ 2,2 bilhões no mercado de medicamentos - que teve movimento total de US$ 10,9 bilhões. "Se as fronteiras do Brasil fossem fechadas a qualquer tipo de comércio, o País sobreviveria em qualquer área, menos na de medicamentos", afirmava Tabak. Na área de defensivos agrícolas, o País movimentou-se US$ 3,9 bilhões para um déficit de US$ 1,3 bilhão (ver no site http://www.economiainterativa.com.br/Materia.aspx?p=5&m=148 ).
O mentor desse projeto, na época, era assessor especial da presidência da Petrobras, ex-deputado federal (RJ) e fundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT) Vivaldo Barbosa. E apresentou-se em evento promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), no Rio de Janeiro, com a participação de empresários e especialistas e de Pedro Lins Palmeira Filho, chefe do Departamento de Produtos Intermediários Químicos e Farmacêuticos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Até hoje, pelas informações colhidas por este jornal, o projeto e as intenções de Barbosa mudam de gavetas e de mãos, recapeados em embalagens espinhosas que envolvem uma fundação fluminense, seus dirigentes e as suas relações com a Petrobras.
Da Redação
15/02/2009