Mesmo com custo reduzido e os mesmos benefícios, os medicamentos genéricos ainda perdem espaço no mercado farmacêutico para os remédios de referência ou de marca, mostra uma pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais. O estudo indica que a população brasileira ainda tem dúvidas a respeito da qualidade desses medicamentos. A pesquisa ouviu 1.217 pessoas com o objetivo de descobrir qual o maior entrave em torno desses remédios. Em Belo Horizonte, por exemplo, os medicamentos de referência - ou de marca - são os preferidos de 58,7% dos entrevistados, enquanto apenas 20,4% preferem os genéricos.
Foram ainda entrevistados farmacêuticos, atendentes de farmácia e médicos. Segundo os resultados, 95,4% dos balconistas de farmácias consultados confiam nos genéricos, mas somente 48,9% têm o hábito de oferecer o medicamento aos clientes com frequência. O próprio consumidor não tem o hábito de perguntar sobre a disponibilidade dos genéricos - apenas 37,2% os solicitam.
O estudo analisou também receituários médicos. Na maioria deles consta apenas o nome do medicamento de marca e não do princípio ativo, o que daria ao consumidor a opção do genérico. Segundo a pesquisa, uma pequena parcela dos profissionais médicos entrevistados afirma receitar frequentemente o princípio ativo. Para Rilke Novato, diretor do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais e vice-presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, falta "determinação" por parte do cliente na procura por medicamentos mais baratos.
"Ele ainda está refém do mercado. Ainda não tem o costume, não criou o hábito ou o não tem conhecimento suficiente para cobrar no consultório médico que o medicamento prescrito seja no nome genérico. Ou então, para fazer o mesmo na farmácia e cobrar se, de fato, existe genérico. Essa posição do consumidor é definidora dessa situação."
Segundo Novato, a constatação de que a maioria arrasadora das receitas médicas ainda vem com o nome do medicamento de marca surpreendeu. O percentual chegou a 77%. Ele lembrou que a receita praticamente determina o medicamento a ser adquirido, uma vez que as pessoas tendem a comprar apenas o remédio prescrito.
"Isso leva à seguinte preocupação: a de que os prescritores da categoria médica ainda demonstram resistência ou dificuldade para aderir à política de genéricos. A grande resposta ou solução vem de uma propaganda oficial, aquilo que foi feito no início dos anos da promulgação da Lei 9.787/99, deve ser retomado de forma mais incisiva, mais enfática. É fundamental que o Ministério da Saúde e o governo federal retomem uma propaganda maciça para a divulgação dos genéricos porque isso implica benefício para a população".
Paula Laboissière
Agência Brasil
Foto Rilke Novato. Divulgação/FNF
15/02/2009