Consumo

Com menos impostos, melhor

O governo arrecada por ano cerca de R$ 1 trilhão em tributos, sem contar os encargos trabalhistas

 

Por que, provavelmente, não vamos conseguir escapar da crise como sonha o governo? Um monte de razões podem justificar, mas duas delas são mortais: imposto alto e medo do desemprego. Vivemos o esgotamento dos mercados que não crescem mais com a mesma velocidade de antes. E o poder aquisitivo vai ficando cada vez mais baixo. Não só porque o brasileiro ganha pouco, mas pelo fato de as empresas repassarem aos preços os impostos pagos. Quem paga imposto, na verdade, é o consumidor, embutido no preço. E, para piorar, ainda temos o redutor do salário, que é o imposto de renda da pessoa física - que faz com que a pessoa pague imposto duas vezes, quando recebe e quando compra. Isso é perverso, pois se o povo não compra, a empresa pára de produzir e demite.

O governo arrecada por ano cerca de R$ 1 trilhão em tributos, sem contar os encargos trabalhistas. Fazendo as contas, veremos que cada brasileiro "paga" para o governo, em média, R$ 450 mensais, mais do que um salário mínimo, só em impostos. Considerando apenas a população economicamente ativa, aquela que trabalha, esse valor chega a quase R$ 1 mil mensais pagos por cada trabalhador brasileiro para ser governado. Que condomínio caro!

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Hoje, de 35% a 60% do preço de qualquer produto ou serviço é composto por impostos, taxas e encargos. Mais da metade do preço dos produtos na verdade são "não produtos", ou seja, dinheiro que vai para o governo.

Caso a carga de impostos fosse reduzida dos atuais 37% do PIB para, por exemplo, 18%, como no México, haveria uma redução de mais de 25% nos preços, um desconto direto. Isso provocaria automaticamente um aumento do poder aquisitivo da população, permitindo a entrada no mercado de uma leva enorme de novos consumidores. Isto levaria as empresas a implementarem seus projetos, gerando, portanto, novos empregos.

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Gilberto Guimarães

Diretor da BPI no Brasil e professor da Business School São Paulo e do Ibmec São Paulo


13/02/2009

 

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