Com 330 mil habitantes, Franca (SP) é uma espécie de sub-região de Ribeirão Preto, tem vida própria e tornou-se o maior pólo de produção de calçados masculinos do País, sem abandonar uma antiga vocação, a de produzir excelente café. Os cafezais desapareceram dos municípios em volta de Ribeirão e ficaram escassos em outras regiões do estado, como a de Marília, mas os produtores da antiga Alta Mogiana, estimulados pela Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), não mudam de atividade.
Já as indústrias de sapatos, que dependem de exportação para sobreviver, ficam sujeitas às oscilações do dólar. Assim, a fase da moeda norte-americana em baixa, que terminou com a chegada de reflexos da crise mundial no fim de 2008, contribuiu para fechar algumas fábricas tradicionais de Franca, entre as quais a Samello. Agora, o dólar alto, que assusta vários setores da economia, pode beneficiar os calçados francanos.
A Imprensa divulgou, em 23 de janeiro último, uma pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que aponta Franca como líder no ranking do desemprego no País, com base na perda de 11.101 empregos em dezembro. Desse total, 9.974 eram da indústria de sapatos. O número parece assustador, mas não é tanto: corresponde a um aumento de 23% em relação aos demitidos em dezembro de 2007. A cada fim de ano, ocorre esse ajuste. Do mesmo modo, encerrada a fase de colheita de café e de cana, são dispensados empregados temporários da lavoura.
E mais: na última semana de janeiro, as fábricas de sapatos de Franca contrataram 1.500 funcionários, influência do dólar alto e das boas vendas ocorridas no evento Couromoda, realizado em São Paulo. A cidade respira e o prefeito Sidney Rocha mostra alívio: "Vamos continuar mostrando que temos competência e qualidade de vida."
Luiz Carlos Ramos
lcramos@economiainterativa.com.br
09/02/2009