Cultivar café nas terras mais altas de Minas Gerais significa enorme vantagem para os produtores. O clima favorece a qualidade. Café de montanhas é sempre melhor. O melhor exemplo está em Nova Resende, 1.250 metros de altitude, município no qual 2.500 dos 15 mil habitantes, são cafeicultores, pequenos proprietários rurais. É natural, portanto, que o café é tema que aparece em todas as conversas: o preço subiu ou caiu, época de plantar, podar ou colher, falta chuva, é hora de comprar adubo. Essa tradição tem mais de cem anos, faz parte da história de Nova Resende desde a chegada de imigrantes italianos à região.
Osvaldo Bachião Filho, Osvaldinho, da quarta geração de uma família de origem italiana que se radicou no lugar no início do século passado, é dono de um sítio e não tem dúvidas sobre o futuro. "Meus dois filhos também já começam a freqüentar a lavoura e se interessam pelas técnicas para a produção de um bom café", explica. "Um dos problemas que os cafeicultores da região tinham era a dificuldade para vender o café. Com a chegada da Cooxupé, há quase 25 anos, passamos a ter mais força. Uma cooperativa une e fortalece os produtores, dá apoio e facilita a venda do café após a colheita. Meu pai, meu avô e meu bisavô tiveram mais problemas."
Bachião não nega que, diante da crise internacional, novos problemas chegaram às conversas de Nova Resende, bem na época da florada do café para uma nova safra, a de 2008/2009: "Está difícil, os preços dos insumos aumentaram e isso reduz o lucro que mantém as famílias daqui", explica. Assim como mais de 1.600 outros cafeicultores desse município, ele é um dos cooperados do núcleo local da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé, a Cooxupé, que chega cidade em 4 de junho de 1984. Quinze anos depois, foram inauguradas as novas instalações do núcleo, com a área total de 60 mil metros quadrados, dos quais 7.428 de área construída. O núcleo possui uma ampla e moderna loja de insumos, balança rodoviária, armazéns de café com capacidade para 320 mil sacas de café, silo de calcário com capacidade de 220 toneladas.
Menos complicação
A construção da loja e do primeiro armazém teve a participação de seus cooperados, que percebem os benefícios com a ampliação. Assim como acontece em outros núcleos, a Cooxupé atua no fornecimento de insumos para café, cereais e pecuária e também no recebimento e comercialização da produção junto aos seus cooperados.
Nova Resende fica a apenas 60 quilômetros de Guaxupé, região em que se concentra o maior número de núcleos, filiais e unidades da cooperativa. No entanto, a cooperativa trabalha também no cerrado mineiro desde 1990, quando da inauguração do núcleo de Monte Carmelo, que foi recentemente modernizado e ampliado.
Em Iraí de Minas, município de sete mil habitantes, a 25 quilômetros de Monte Carmelo, a família Hojo produz café e é uma das pioneiras do Cerrado. Hoje com 86 anos, o patriarca Massayoshi Hojo, nascido no Japão, veio para o Brasil há 76 anos e mora na cidade de Iraí com sua esposa, Tetsuko, e cinco parentes, entre os quais o irmão Tetsuo. Todos os dias, Massayoshi visita as terras da família, chega a pilotar o trator e age para nada faltar à lavoura. "A Cooxupé facilita a vida da gente", afirma, ao lado do filho Koiti Hojo, seu braço direito. Koiti, engenheiro-agrônomo que trabalhou na hoje extinta Cooperativa Agrícola de Cotia, na região metropolitana de São Paulo, é da região de Marília, interior de São Paulo. Ele explica as vantagens da mudança para o Triângulo Mineiro: "Minha família acreditou no cerrado mineiro, que, até o início da década de 1970, era considerado improdutivo. Hoje, o cerrado produz café em quantidade e qualidade. Aqui, temos a vantagem do clima, não enfrentamos geadas."
Apesar desses elogios ao clima e às terras, Koiti lamenta os efeitos da atual crise internacional em cima da cafeicultura brasileira. Ele é um dos nove membros do Conselho de Administração da Cooxupé e viaja para Guaxupé uma vez por mês para participar de reuniões com o comando da cooperativa. "A Cooxupé tem agido para ajudar os pequenos produtores", explica. "Sem uma cooperativa desse porte, tudo se complicaria ainda mais."
Luiz Carlos Ramos
lcramos@economiainterativa.com.br
20/01/2009