Consumo

Produtores e governo buscam solução

Em outubro, o ministro Stephanes lançou a Agenda Estratégica do Agronegócio Café do Brasil, que prevê um grande avanço por parte do governo federal

 

O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes, fazendeiro em Três Pontas, no Sul de Minas, lançou um alerta no fim de 2008, exigindo maior atenção do governo federal diante dos problemas dos cafeicultores. "O CNC e outras entidades lamentam que o setor enfrente longo período de crise financeira e vêem esvaecer a esperança de um futuro melhor sem o apoio de quem tem o poder de deliberar sobre nossa atividade no campo", reclamou Ximenes, eleito para o cargo há quase dois anos. "Vamos aguardar, no início de 2009, ações mais concretas. Não queremos mais prorrogação das dívidas. Queremos, sim, programas para quitá-las, para que possamos produzir." Ximenes lembra que a cadeia produtiva do café garante oito milhões de empregos em todo o País: "A cafeicultura, por ser o setor de maior geração de empregos da agropecuária nacional, merece mais respeito."

O engenheiro-agrônomo Maurício Miarelli, que presidiu o CNC de 2005 a 2007, antecedendo Ximenes, é presidente da Cooperativa de Cafeicultores e Pecuaristas (Cocapec), da região de Franca-SP, e também defende maior atenção para os produtores de café. "O grande desafio do setor é tentar garantir a sustentabilidade econômica, a renda dos produtores. Estes, ao contrário do que ocorre em outras commodities, agrícolas, tendem a transferir todos os ganhos de produtividade para os demais elos da cadeia e para o consumidor", explica Miarelli. "Os produtores têm conseguido melhorar a qualidade do café e aumentar as safras; tal esforço precisa ser recompensado."

Francisco Sérgio de Assis, presidente do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Caccer), é fazendeiro em Monte Carmelo-MG, mas ainda produz café também em Terra Rica, no Norte do Paraná, sua região de origem. Ele adverte: "Nos últimos anos, já tivemos, no cerrado mineiro, antigos produtores de café que, diante dos problemas, acabaram com seus cafezais e passaram a plantar soja, milho e feijão. Não podemos fraquejar diante da ameaça de uma nova crise desanimar ainda mais os cafeicultores."

Em outubro, o ministro Stephanes lançou a Agenda Estratégica do Agronegócio Café do Brasil, que prevê um grande avanço por parte do governo federal. "Por meio dessa agenda, vamos buscar o aperfeiçoamento estatístico de produção, estoque, consumo e custos de produção do café", anunciou Stephanes, que foi secretário da Agricultura do Paraná. "Além de tudo, será possível cuidar melhor dos setores da pesquisa, capacitação, certificação, indicação geográfica, comercialização, exportação de café industrializado e indústria de café torrado e moído e solúvel para o mercado interno. Em época de crise, o importante é a união, o trabalho em equipe."

Ações coordenadas

"A agenda é um instrumento importante diante da crise financeira internacional e a competitividade nacional ameaçada pelos crescentes custos de produção e câmbio adverso", completa o principal responsável pela agenda, Silas Brasileiro, secretário-executivo do Ministério da Agricultura, ex-prefeito de Patrocínio, município mineiro de alta produção de café, e ex-secretário da Agricultura de Minas Gerais. "A implementação será fundamental para garantir e ampliar a liderança brasileira no mercado mundial com tecnologia, qualidade e inovação."

Guilherme Braga Abreu Pires Filho, diretor-executivo do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), entidade com sede em São Paulo, afirma que a Agenda do Agronegócio Café representa um avanço na determinação das prioridades e das ações que vão orientar o desenvolvimento integrado do setor: "Essa novidade permite imprimir objetividade às iniciativas pela clara identificação de seus propósitos, criando consenso e assegurando melhores condições para a sua implementação e para os seus resultados."

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Almir José da Silva Filho, vê a agenda com esperança. "É sinal de evolução do agronegócio café e reflete a coordenação das ações da cadeia produtiva. Essa agenda aborda os problemas e as soluções para o setor continuar se desenvolvendo e preservando o primeiro lugar no ranking mundial de exportadores de café", analisa.

Agnaldo José de Lima, também de Patrocínio (MG), assessor especial para as Câmaras Setoriais e Temáticas do Ministério da Agricultura e coordenador do Grupo de Trabalho da Agenda Estratégica, explica que os temas da agenda foram organizados a partir de sugestões de integrantes de toda a cadeia produtiva: "Vamos preparar, nos próximos meses, o Plano Estratégico para o Agronegócio Cafés do Brasil, por meio de workshops, comitês de trabalho e ações específicas dos comitês diretores do Conselho Deliberativo da Política do Café."

Luiz Carlos Ramos

lcramos@economiainterativa.com.br


20/01/2009

 

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